quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um dia estava eu a ouvir minha amiga lendo o jornal. Fazia dois meses que ela estava desempregada e passava uma temporada no meu apê. Quando começou a ler a sessão de classificados, apurei minha audição. Talvez eu pudesse dar paupite pra qual empresa ela devesse ligar. Mas era de se esperar que uma mente tão perversa como a de Alice abrisse os olhos logo para os programas. Particularmente, acho aquilo ridículo. Imagine um pai de família, desempregado, abrir inocentemente o jornal para procurar trabalho e se deparar com garotas oferecendo seu corpo. Meio constrangedor, se você for prestar atenção.
“Ana Delicia morena alto dos olhos verdes s/ frescura c/ mass”. Ou “Di Bunduda adoro um coroa preciso de cliente”.
É, pois é. Não é muito confortável ler isso logo de manhã, mas tive que rir do modo como Alice estava lendo. Principalmente das ênfases que ela fazia. Como nessa:
- “Felipe saradão, gostoso e faz mass”

Inicialmente não imaginei que ela fosse chegar a tal ponto, mas logo percebi que seu olhar pervertido sugeria que ligássemos para o tal carinha sarado. O que de primeira me pareceu a coisa mais nojenta que alguém poderia pensar enquanto tomava café, mas depois me pareceu divertido. Poderíamos ligar, marcar um encontro e sacanear com o cara. Bem divertido. Ou não.

Mas eu não pensei muito no que poderia me acontecer se levasse essa história a fundo. Quero dizer, eu não tenho costume de assistir novelas e nem de ler romances. Minha parada é ação. E foi por isso que eu disquei os números do tal Felipe, assim que a débil mental da Alice me entregou o telefone.

- Alô
- Oi, er... Felipe?
- Você esperava encontrar outra pessoa?
- Sim. Quero dizer, não. Ah, esquece! Você é o garoto dos anúncios, certo?
(Risos) – Sim, e você?

Depois da risada contagiante dele, me senti mais à vontade para dizer as besteiras que me vinham à cabeça. Até que finalmente, encontramos um horário que ele estava disponível e marcamos um encontro. Segunda à tarde. Bom... bem concorrido esse Felipe!

Eu tive o resto da semana para pensar se realmente iria àquele encontro, mas na segunda, eu não tive muitas opções, já que Alice chegou da casa de seu namorado disposta a me fazer ir. Você pode estar pensando que chegando ao shopping, nós tivemos alguma dificuldade para localizar o carinha. Mas mesmo com todos os homens bonitos que havia ali numa segunda-feira, sabíamos perfeitamente de quem se tratava o garoto de programa. Ele era o mais alto, e digamos que seus músculos tinham uma vontade louca de saltar para fora daquela camiseta muito justa de dar água na boca. Claro que não ia chegar do nada e falar que eu era a garota do dia. Não mesmo. Então me contentei em pedir um sorvete e sentar junto com minha amiga depravada. Que inclusive, não parava de encher meu querido saco e insistir para que eu fosse até o Felipe, que alias, já estava sem paciência para me esperar. Até que uma hora dessas, eu não agüentei mais vê-lo só de longe, e fui cumprimentá-lo. Mentira. Mas digamos que a voz da Alice não é muito animadora, então fui logo até o armário de músculos que estava no balcão do McDonalds.

~CONTINUA~