"Queria que viver fosse que nem escrever livros. Queria poder escrever e jogar o rascunho fora quando não gostasse do resultado. Drama é a essência da minha alma adolescente. Eu sinto tudo de maneira densa demais, pois procuro sentir - inconscientemente. Procuro os extremos e os sentimentos sufocantes nos cantos de mais plena quietude, nos cantos de barulho infernal, em todos eles, um por um, e tento agarrá-los. Uso meu pensamento pra esquecer que eu sou exatamente tudo que não queria ser - um corpo sem uma voz, uma pessoa sem um reflexo. Mesmo assim eu sou notada, comentada, polêmica, invejada, amada e odiada. E mesmo assim não tenho reflexo. Porque o perdi nas palavras doces e mentirosas que haviam me dito. Tudo à minha volta me desperta constantemente uma vontade de fugir para onde não houvesse tanto julgamento. Um lugar onde não precisasse andar armada de palavras e olhares para conseguir sobreviver às bombas. Um lugar onde houvesse seres humanos e não rebanhos de ovelhas.
Todos acham tantas coisas que não chegam nem perto de ser verdade - provavelmente porque eu queria que achassem. Sempre chamei a atenção, sempre atraí rótulos e olhares de juízes para cima de mim.
Mas, eu sei, a vida é diferente dos livros, cada fim implica um novo começo e cada começo traz consigo a lição de um velho passado. Estou tentando aprender, durante essa minha jornada, que a única maneira de sobreviver ao Inferno é continuar passando por ele, mas tá sendo dificil."
Fugalaça, Mayra Dias Gomes. DIVA DEMAIS DA CONTA!

